Ocupando um lote de esquina, em frente à praça Vilaboim, este prédio é notável pela implantação: em vez de definir um volume em L construido junto ao alinhamento das calçadas, como seria usual para época em situação semelhante, os arquitetos imaginaram duas lâminas paraleleas, afastadas 20 metros entre si, que permitem a continuidade espacial da área verde. Desde então, a ideia foi replicada inúmeras vezes na cidade, com desenhos bons ou vulgares. O modelo contudo, jamais foi superado, principalmente no que diz respeito à sensivel interpretação do entorno.
Artigas e Cascaldi aproveitaram o desnível, de quase quatro metros, para encaixar a garagem na cota mais baixa. A rampa sinuosa, que interliga os dois prédios e dá acesso à praça, divide o recuo entre as lâminas em jardim e garagem.
As duas lâminas possuem térreo mais sete pavimentos, com duas unidades de 130 metros quadrados por andar.
Nas fachadas nordeste, para onde estão voltados os ambientes sociais e íntimos , a linha horizontal das lajes se alterna com movimentos verticais das janelas de aço, venezianas ou pano de vidro. A face oposta é destinada às de serviços, onde foi enfatizado o desnivel de 80 centimetros entre o patamar dos elevadores social e de serviços, justificada pela economia de uma parada. Um afresco de Francisco Rebolo se destaca no térreo da lâmina da esquina e o conjunto atualmente é protegido pelo orgão de patrimonio estadual.
Fonte: Monolito